"Só surubinha de leve" A música precisou gritar para a sociedade enxergar a apologia ao estupro.

17 de janeiro de 2018

(Imagem:Todos os direitos reservados)

Depois que a "música" "Surubinha de leve" do Mc Diguinho caiu na internet, muitas pessoas começaram a críticar nas redes sociais por ser uma apologia ao estupro. Mas o engraçado de tudo isso, é que a sociedade realmente precisou que alguém colocasse uma música na internet desenhada, gritada, para finalmente as pessoas perceberem que tem alguma coisa errada ali, mas isso nunca foi uma novidade.

Do que adianta as pessoas criarem conflitos, compartilhar imagens no facebook por causa de uma música que ficou famosa na internet e que geral crítica, se na real quando esse furacão acabar, as pessoas vão continuar aplaudindo diversas músicas com o mesmo significado, mas talvez mais "camuflada"? 

É exatamente esse o problema, as pessoas sempre criam hastags, compartilham, curtem diversas publicações sobre um determinado assunto quando as pessoas estão falando daquilo, mas elas esquecem disso depois que a poeira abaixar.

Não preciso nem comentar sobre o quanto eu acho um absurdo a letra dessa música, mas o fato das pessoas aplaudirem músicas iguais a essa é o que me deixa mais decepcionada, principalmente quando são mulheres.  Funk é considerado um estilo musical que tem uma "batida boa", o que acaba fazendo a galera dançar e se divertir, e não tem nenhum problema nisso, a questão é que a maioria das letras das músicas são comentários machistas, sobre o fato das mulheres quererem sentar e rebolar. Mas será que é isso que nós mulheres queremos? 

Sexo sempre foi enxergado como algo maravilhoso, que todos deveriam experimental e é claro, amar, afinal nós somos seres reprodutores, e é natural que muitas coisas na sociedade seja envolvida a isso. Mas parece quase uma obrigação gostar de transar, já que no fim das contas tudo ao nosso redor está relacionado a sexo, músicas, filmes, séries, livros, e até mesmo o formato das coisas. A garrafinha que tem formato de pênis, os potes de shampoo, a garrafa de cerveja, tanto é que o próprio Sigmund Freud, trabalha sobre isso na teoria da psicanálise. 

As músicas geralmente remetem muito o fato das mulheres amarem sentar, e adoram a penetração, mas será que isso é verdade? A sexóloga Walkiria Fernandes, conta no site da Uol Educação, que algumas mulheres não conseguem chegar ao orgasmo apenas com a penetração, sendo que 50% da população feminina ou mais tem dificuldade em chegar ao orgasmo apenas com a penetração. 

Cada mulher sente prazer da sua forma, mas quando você fala que não sente prazer com a penetração, as pessoas assustam, porque o sexo é definido como algo bom, gostoso e é definido também pela penetração, mas como as mulheres se sentem com isso? Porque infelizmente existem pessoas que acreditam que é só ir ali, arreganhar as pernas de uma moça ligar a máquina de lavar e está tudo ok. 

A gente precisa conversar sobre isso, precisamos sentar e falar sobre que as mulheres não são um objeto sexual, já basta as músicas que as pessoas adoram gritar, rebolar, aplaudir falar isso por nós. 

Até quando as pessoas vão deixar que homens digam o que temos que fazer? Até quando as pessoas vão aplaudir uma letra absurda? Quando é que vamos começar fazer a diferença? Não basta criticar algo momentâneo, eu quero ver alguém levantar da cadeira, perceber que tem algo errado e questionar. Eu quero ver alguém fazer a diferença sempre, não só quando geral está compartilhando na internet. 





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