Por enquanto, é só isso

15 de janeiro de 2018

Imagem: Pinterest
Eu estava num daqueles dias distraídos. Daqueles que as coisas acontecem e a gente nem dá tanta atenção. Que a gente tropeça na calçada porque está de salto e não presta atenção por onde anda. Em que a gente pede sorvete de baunilha, mas gosta mesmo é do de chocolate. Eu estava à mercê da falta de atenção. Até encontrar você. Cinco anos e você estava do mesmo jeito. Tirando a barba por fazer que sempre foi seu charme.
Confesso que no início fingi não ter te visto. Aquela timidez da adolescência resolveu dar o ar da graça. Mas depois lembrei de que não fazia mais sentido fugir de algo que não transbordava meu coração. Levantei o olhar e te encarei. Você estava olhando para mim e disfarçou, mas firmei até você se sentir incomodado e olhar novamente. Pronto. Nos cumprimentamos e aquilo era o suficiente para meu ego.
Voltei à minha leitura.
Você veio até mim e isso não me pegou de surpresa. Perguntou como eu estava e foi a deixa para uma conversa que estava engasgada a anos. O que anda fazendo? Entrei num trabalho legal e algumas vezes viajo por aí e você, continua na mesma de sempre? Fiz referência as farras que te classificava como babaca. Um pouco, mas confesso que me sinto meio velho hoje em dia. O quê, ta querendo casar? Poderia ser uma possibilidade, se ao menos tivesse uma pretendente. Achei engraçado e soltei aquele risinho frouxo.
Me convidou para tomar um sorvete e eu resisti. Pensei no meu namorado e no que as pessoas poderiam achar quando eu contasse. É só um sorvete, menina. Não te custaria nada. Uma discussão talvez, pensei, mas eu queria algo gelado. Fomos e me senti estranha por andar ao seu lado depois de tudo.
Você me contou sobre as coisas que te aconteceram nesses anos, sobre como amadureceu e eu quase acreditei. Contei como estava dando certo por aqui e a sensação de fechar o primeiro contrato dos sonhos. E você me observava com atenção. Perguntava por detalhes que passava despercebido pelas pessoas. Até vir um: você está mais linda que nunca. O rosto ruborizou, acontece sempre quando alguém elogia.
Sabe que meio impossível esquecer, né? Eu ri escandalosamente. Não precisamos desses joguinhos, já somos adultos. Quem disse que é joguinho? Quando a mulher da tua vida chegar, você nem vai lembrar. Quando somos adolescentes fazemos coisas impensáveis. É, mas quando somos adultos também, a diferença é que temos coragem de admitir e repará-las. Tô falando que você foi a primeira e, você sabe, primeira a gente não esquece. Diga por você. Ai, essa doeu. Você pediu. É.
A sua risada quebrou o gelo e você viu meu anel. Noiva? É só um anel de família dele. Percebi um clima estranho, mas consegui disfarçar. Conversamos até o sorvete acabar. Nos despedimos com aquele abraço sincero e sem mágoas em que diz eu torço por você e seguimos cada um seu rumo. Me despedi do meu passado. Entrei no ateliê mais leve que nunca.
Você mandou notificação de amizade no facebook. Algum tempo atrás eu teria apertado no botão aceitar, mas nosso encontro foi suficiente e eu não precisava mais saber o que acontece na sua vida. Talvez daqui outros cinco anos a gente se encontre e converse novamente.
Por enquanto, é só isso, obrigada.

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