Mulher, negra, lésbica e pobre!

3 de agosto de 2017


(Imagem/Reprodução. Todos os direitos reservados) 

Falar sobre o machismo, racismo, homofobia, a meritocracia, já sãos assuntos bastantes complicados de abordar, agora imagina falar sobre uma mulher, negra, pobre e lésbica. Não se trata de uma pessoa que sofre apenas o racismo, ou a homofobia, ou o machismo, mas sim de um conjunto de opressões. Dessa forma, não se pode analisar isso separadamente, porque são coisas distintas, então é de extrema relevância destacar a classe social, a raça e o gênero. Nesse caso quando se trata de várias opressões, chamamos de interseccionalidade.

Esse termo foi dado pela Kimberlé Williams Crenshaw, que foi uma feminista e professora especializada em raça e gênero. Ela entendeu que existe uma enorme diferença em pessoas que passa um tipo de opressão e aquelas que infelizmente sofrem vários tipos de opressões, desse modo, precisamos tratar isso de forma individual, já que tem um peso maior. 

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(Imagem/Reprodução. Todos os direitos reservados) 

Um bom exemplo de uma pessoa que passou por essa situação foi a Audrey Geraldine Lorde, ela nasceu em 18 de fevereiro de 1934 nos Estados Unidos, foi uma mulher negra, lésbica, poeta e feminista interseccional.  Ela foi uma das criadoras do feminismo negro e escrevia poemas que descreve aquilo que ela passava.

“Como mulheres, alguns de nossos problemas são comuns, outros não. Vocês, brancas, temem que seus filhos ao crescer se juntem ao patriarcado e testemunhem contra vocês. Nós, em contrapartida, tememos que tirem os nossos filhos de um carro e disparem contra eles a queima-roupa, no meio da rua, enquanto vocês dão as costas para as razões pelas quais eles estão morrendo”.

Ás vezes podemos ler pautas, ver vídeos, documentários, escutar podcast, ser feminista interseccional, mas não é o suficiente para entender o que é passar por isso. Confesso que quando decidi escrever sobre isso, queria que fosse algo muito mais elaborado e jornalístico do que estou acostumada a escrever. Então a comecei entrevistar pessoas para entender mais o lado dessas pessoas. E  nessa troca de conversas, mesmo ficando mais próximas dessas pessoas e entendendo o quanto é complicado para elas, jamais vou conseguir entender cem por cento de fato o que é isso, porque eu não passo por esse conjunto de opressões eu não vivo isso.

Quando a gente fala dessas opressões, é importante a gente lembrar que muitas mulheres são mortas diariamente, que pessoas de raças negras são mortas diariamente, que pessoas LGBT são mortas diariamente. Sem contar que mulheres registram tentativas de suicídio 3 vezes mais do que os homens, de acordo com a OMS. E LGBT 5 vezes mais do que héteros. Agora imagina uma pessoa que passa por todas essas circunstâncias?  Isso não lhe preocupa?

"Eu não serei livre enquanto houver mulheres que não são, mesmo que suas algemas sejam muito diferentes das minhas" 

Existe um artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que deixa de forma explicita a eliminação de todas as formas de descriminação. E mesmo existindo algo que estabeleça isso, encontramos todos os dias noticias sobre pessoas que morreram ou foram violentadas. Sendo que podemos destacar também, aquelas pessoas que passam por isso, mas não conseguem denunciar por N motivos. Mesmo o nosso país, a sociedade em si, ter evoluído bastante com o decorrer dos anos, há muitas coisas para serem debatidas e serem solucionadas.

E para isso acontecer é fundamental nós começarmos a aceitar essas pessoas no nosso cotidiano. E não simplesmente dizer que aceita e olhar torto e não deixar com que essas pessoas sejam bem vindas no seu círculo de amigos.  É sobre isso que precisamos falar, sobre ser mais humanos.

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