Resenha : Tartarugas Até Lá Em Baixo

19 de janeiro de 2018

Autor: John Green
Titulo: Tartarugas Até Lá Embaixo
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 256 Páginas
Sinopse: “Aza Holmes não está disposta a sair por aí bancando a detetive para solucionar o mistério do desaparecimento do bilionário Russell Pickett, mas há uma recompensa de cem mil dólares em jogo, e sua melhor amiga, a destemida Daisy, quer muito botar a mão nesse dinheiro. Assim, as duas vão atrás do único contato que têm em comum com o magnata: o filho dele, Davis. Aza está tentando. Tenta ser uma boa filha, uma boa amiga e uma boa aluna, mas, aos dezesseis anos, ainda não encontrou um modo de lidar com as terríveis espirais de pensamento que se afunilam cada vez mais e ameaçam aprisioná-la. Neste livro arrebatador e sensível sobre amor, resiliência e o poder de uma amizade duradoura, John Green conta a tocante história de Aza, lembrando que a vida sempre continua e que muitas surpresas nos aguardam pelo caminho.”


“Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu.”

Queridos leitores, e leitoras do BC, eu ESTOU DE CARA com esse livro! Serio, o Tio Verde quer acabar com a nossa estrutura psicológica real. Não tenho idéia de como fazer essa resenha, mas já estava prometido então, aqui estou eu não é mesmo.

Aza Holmes é uma menina de dezesseis anos, que vive em Indianópolis, com a mãe. Mas Aza não é uma garota comum, ela enfrenta diariamente, uma espiral de pensamentos, que sugam sua identidade e ameaçam a aprisionar. Quando o bilionário Russell Pickett desaparece e uma recompensa de cem mil dólares é oferecida em troca de informações que possam apontar seu paradeiro, ela e sua amiga 

Daisy, uma talentosa e determinada escritora de fan fictions de Star Wars, saem em busca de pistas para garantir o dinheiro, começando pelo único elo que possuem com o desaparecido: seu filho, Davis. A historia é narrada por Aza. É uma historia de superação, amor, amizade e reencontros, mas também sobre a realidade de alguém que luta constantemente consigo mesma. No decorrer da trama, você percebera que Aza sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Em uma entrevista ao Entertainment Weekly, John Green declarou que trabalha no projeto já há alguns anos, e que estava animado para que os leitores finalmente conhecessem a história, afinal, apesar de se tratar de um enredo totalmente fictício, “Tartarugas Até Lá Embaixo” possui vários elementos da própria vida do autor, como o TOC, com o qual conviveu por muitos anos. E a sensibilidade com que ele aborda o assunto é incrível.


 “No fundo ninguém entende o que se passa com o outro. Está todo mundo preso dentro de si mesmo.” 


Agora que a parte mais difícil já ta pronta rsrs, vamos falar sobre o design do livro, que me conquistou logo de cara. A capa é simples e linda, e simboliza perfeitamente a mente de Holmes. Outro ponto que me fascinou no livro, é a quantidade de referencias sobre Star Wars que são citadas nele, através da fan fictions de Daisy melhor amiga de Aza. Em alguns momentos , você encontrara também citações feitas por Davis (não posso falar muito sobre ele pra não dar spoiler kkk ) mas uma das citações que eu mais gostei foi a seguinte:

Posso resumir em três palavras tudo o que aprendi sobre a vida: a vida continua.” – Robert Frost

Alem disso, quem conhece os livros do Tio Verde sabe que o designer interior é sempre o mesmo , a folha cinza no inicio e no fim, a escrita de fácil compreensão, e com um humor que só ele consegue colocar até nas cenas mais fortes.

E é isso pessoinhas, o livro ta lindo, e vale super a pena embarcar nessa historia, você vai ter reações inimagináveis e vai devorá-lo assim como eu fiz.

Talvez essa resenha não tenha sido a melhor até hoje, mas depois de ler o livro você vai entender o quanto é difícil falar sobre ele haha . Obrigada pela sua companhia mais uma vez, espero de verdade que você tenha gostado. Não se esqueça de comentar aqui embaixo o que você achou da resenha, suas principais duvidas, o que você sentiu ao ler, e me fala qual livro você quer ver resenhado aqui no BC...

E que a força esteja com vocês!

"Só surubinha de leve" A música precisou gritar para a sociedade enxergar a apologia ao estupro.

17 de janeiro de 2018

(Imagem:Todos os direitos reservados)

Depois que a "música" "Surubinha de leve" do Mc Diguinho caiu na internet, muitas pessoas começaram a críticar nas redes sociais por ser uma apologia ao estupro. Mas o engraçado de tudo isso, é que a sociedade realmente precisou que alguém colocasse uma música na internet desenhada, gritada, para finalmente as pessoas perceberem que tem alguma coisa errada ali, mas isso nunca foi uma novidade.

Do que adianta as pessoas criarem conflitos, compartilhar imagens no facebook por causa de uma música que ficou famosa na internet e que geral crítica, se na real quando esse furacão acabar, as pessoas vão continuar aplaudindo diversas músicas com o mesmo significado, mas talvez mais "camuflada"? 

É exatamente esse o problema, as pessoas sempre criam hastags, compartilham, curtem diversas publicações sobre um determinado assunto quando as pessoas estão falando daquilo, mas elas esquecem disso depois que a poeira abaixar.

Não preciso nem comentar sobre o quanto eu acho um absurdo a letra dessa música, mas o fato das pessoas aplaudirem músicas iguais a essa é o que me deixa mais decepcionada, principalmente quando são mulheres.  Funk é considerado um estilo musical que tem uma "batida boa", o que acaba fazendo a galera dançar e se divertir, e não tem nenhum problema nisso, a questão é que a maioria das letras das músicas são comentários machistas, sobre o fato das mulheres quererem sentar e rebolar. Mas será que é isso que nós mulheres queremos? 

Sexo sempre foi enxergado como algo maravilhoso, que todos deveriam experimental e é claro, amar, afinal nós somos seres reprodutores, e é natural que muitas coisas na sociedade seja envolvida a isso. Mas parece quase uma obrigação gostar de transar, já que no fim das contas tudo ao nosso redor está relacionado a sexo, músicas, filmes, séries, livros, e até mesmo o formato das coisas. A garrafinha que tem formato de pênis, os potes de shampoo, a garrafa de cerveja, tanto é que o próprio Sigmund Freud, trabalha sobre isso na teoria da psicanálise. 

As músicas geralmente remetem muito o fato das mulheres amarem sentar, e adoram a penetração, mas será que isso é verdade? A sexóloga Walkiria Fernandes, conta no site da Uol Educação, que algumas mulheres não conseguem chegar ao orgasmo apenas com a penetração, sendo que 50% da população feminina ou mais tem dificuldade em chegar ao orgasmo apenas com a penetração. 

Cada mulher sente prazer da sua forma, mas quando você fala que não sente prazer com a penetração, as pessoas assustam, porque o sexo é definido como algo bom, gostoso e é definido também pela penetração, mas como as mulheres se sentem com isso? Porque infelizmente existem pessoas que acreditam que é só ir ali, arreganhar as pernas de uma moça ligar a máquina de lavar e está tudo ok. 

A gente precisa conversar sobre isso, precisamos sentar e falar sobre que as mulheres não são um objeto sexual, já basta as músicas que as pessoas adoram gritar, rebolar, aplaudir falar isso por nós. 

Até quando as pessoas vão deixar que homens digam o que temos que fazer? Até quando as pessoas vão aplaudir uma letra absurda? Quando é que vamos começar fazer a diferença? Não basta criticar algo momentâneo, eu quero ver alguém levantar da cadeira, perceber que tem algo errado e questionar. Eu quero ver alguém fazer a diferença sempre, não só quando geral está compartilhando na internet. 





Por enquanto, é só isso

15 de janeiro de 2018

Imagem: Pinterest
Eu estava num daqueles dias distraídos. Daqueles que as coisas acontecem e a gente nem dá tanta atenção. Que a gente tropeça na calçada porque está de salto e não presta atenção por onde anda. Em que a gente pede sorvete de baunilha, mas gosta mesmo é do de chocolate. Eu estava à mercê da falta de atenção. Até encontrar você. Cinco anos e você estava do mesmo jeito. Tirando a barba por fazer que sempre foi seu charme.
Confesso que no início fingi não ter te visto. Aquela timidez da adolescência resolveu dar o ar da graça. Mas depois lembrei de que não fazia mais sentido fugir de algo que não transbordava meu coração. Levantei o olhar e te encarei. Você estava olhando para mim e disfarçou, mas firmei até você se sentir incomodado e olhar novamente. Pronto. Nos cumprimentamos e aquilo era o suficiente para meu ego.
Voltei à minha leitura.
Você veio até mim e isso não me pegou de surpresa. Perguntou como eu estava e foi a deixa para uma conversa que estava engasgada a anos. O que anda fazendo? Entrei num trabalho legal e algumas vezes viajo por aí e você, continua na mesma de sempre? Fiz referência as farras que te classificava como babaca. Um pouco, mas confesso que me sinto meio velho hoje em dia. O quê, ta querendo casar? Poderia ser uma possibilidade, se ao menos tivesse uma pretendente. Achei engraçado e soltei aquele risinho frouxo.
Me convidou para tomar um sorvete e eu resisti. Pensei no meu namorado e no que as pessoas poderiam achar quando eu contasse. É só um sorvete, menina. Não te custaria nada. Uma discussão talvez, pensei, mas eu queria algo gelado. Fomos e me senti estranha por andar ao seu lado depois de tudo.
Você me contou sobre as coisas que te aconteceram nesses anos, sobre como amadureceu e eu quase acreditei. Contei como estava dando certo por aqui e a sensação de fechar o primeiro contrato dos sonhos. E você me observava com atenção. Perguntava por detalhes que passava despercebido pelas pessoas. Até vir um: você está mais linda que nunca. O rosto ruborizou, acontece sempre quando alguém elogia.
Sabe que meio impossível esquecer, né? Eu ri escandalosamente. Não precisamos desses joguinhos, já somos adultos. Quem disse que é joguinho? Quando a mulher da tua vida chegar, você nem vai lembrar. Quando somos adolescentes fazemos coisas impensáveis. É, mas quando somos adultos também, a diferença é que temos coragem de admitir e repará-las. Tô falando que você foi a primeira e, você sabe, primeira a gente não esquece. Diga por você. Ai, essa doeu. Você pediu. É.
A sua risada quebrou o gelo e você viu meu anel. Noiva? É só um anel de família dele. Percebi um clima estranho, mas consegui disfarçar. Conversamos até o sorvete acabar. Nos despedimos com aquele abraço sincero e sem mágoas em que diz eu torço por você e seguimos cada um seu rumo. Me despedi do meu passado. Entrei no ateliê mais leve que nunca.
Você mandou notificação de amizade no facebook. Algum tempo atrás eu teria apertado no botão aceitar, mas nosso encontro foi suficiente e eu não precisava mais saber o que acontece na sua vida. Talvez daqui outros cinco anos a gente se encontre e converse novamente.
Por enquanto, é só isso, obrigada.

Tempo

12 de janeiro de 2018

(Imagem: Todos os direitos reservados)

Um dia me fizeram a seguinte pergunta: 

"Para você o que é a coisa mais poderosa do mundo?"

E eu respondi com toda convicção "O TEMPO".

E me perguntaram o motivo de eu considerar o tempo como a coisa mais poderosa que existe, e eu expliquei... 

Tudo se é obtido, construído, aprendido, servido e vencido com o tempo, tudo se é resolvido com o tempo. 

Com o tempo nos declaramos a alguém que amamos, com o tempo nos alegramos com as ações do passado ou nos arrependemos com as mesmas, nos enxergamos de uma forma diferente, nós mudamos, preenchemos vazios, vazios, preenchemos vazios que nunca foram preenchidos, com o tempo adquirimos conhecimento sobre determinado assunto que por vez não dominávamos e com o tempo transformamos esses em sabedoria e passamos aos outros tudo que já sabemos, com o tempo vamos para lá e/ou voltamos para cá, somos meros escravos do tempo, servimos ao tempo, somos súditos, submissos do que é mais incerto. 

E a incerteza das vontades do tempo machuca qualquer mente pensante, amante, principiante ou experiente, qualquer mente sábia, tola, apaixonada ou arrogante, séria ou divertida, simples, complicada, qualquer mente humana... 

Com o tempo somos um e com o tempo nós tornamos dois, três, dividimos nossos corações, nossos sentimentos, nos tornamos pessoas capazes de tornar o tempo nosso melhor amigo a ponto de conseguirmos lidar com a improváveis mudanças prováveis e com a certeza de que tudo, absolutamente tudo é incerto! 

Não podemos simplesmente deixarmos de viver por termos agora a consciência de que somos impulsionados a fazermos o que o tempo propõe a nós, os obstáculos que nos são colocados no caminho, "A vida não é medida por quantas vezes respiramos, mas pelos momentos que nos são tirados o ar"...

"Quanto tempo dura o que é eterno?

"As vezes apenas um segundo..."

Oh tempo! Tenho conhecimento de agora ser tua escrava, súdita, submissa as tuas incertezas, por favor, peço que apenas me dê oportunidade de ser melhor, de ter você para fazer com que eu alcance minha verdadeira paz. 



Quando eu não tiver mais você, o meu eterno já terá sido eternizado, seu poder fará com que eu seja mais, mais do que eu mesma acredito que posso ser, eu só preciso de você tempo.

Qual é o esporte feminino?

10 de janeiro de 2018


Eu sempre falei nas minhas redes sociais o quanto eu adoro praticar exercícios físicos, é algo que faço desde muito pequena, pois sempre me fez bem. A galera costuma ver eu postando foto correndo, fazendo circo, andando de skate, mas nem todo mundo sabe que eu também tenho uma paixão pelo futebol, mas infelizmente amar isso nunca foi um mar de rosas e sinceramente? Até hoje não é.

Quando eu era criança eu observava os meninos jogando em todo canto, na rua, na escola, na televisão e eu achava aquilo incrível, e sentia uma imensa vontade de jogar. Eu comecei entrando aos poucos no pênalti que tinha na minha escola no primário, porque ali você só precisava fazer fila e esperar chegar sua vez, era mais fácil de conseguir jogar.

Depois que a minha paixão foi aumentando eu queria jogar em times, mas não tinha equipes femininas na minha escola, e a única solução que eu tinha era jogar com os garotos, mas não era simples assim.

"Você não sabe jogar, então não vamos deixar."
 

"Você é mulher, mulheres não jogam futebol"

Conseguir achar um espacinho em um time de futsal sempre foi muito complicado, eles nunca deixavam eu jogar por ser mulher, e sempre procuravam desculpas bobas, como aquelas de que mulheres não sabem jogar, e isso foi algo que sempre me incomodou, sempre me machucou, porque eu fui privada de fazer algo que eu amava. 

Aos meus 7, 8 anos eu finalmente consegui entrar em um time de futsal. Eu e meus pais, passamos um bom tempo procurando algum lugar que aceitava garotas para que eu pudesse jogar. Mesmo estando dentro do time, no campo é outra realidade, as pessoas te veem ali, pensam que você está jogando, mas mal sabem que os garotos jogam para si e te privam no campo sem perceber. Com o tempo, acabei saindo do time.

Eu passei um bom tempo tentando ser incluída nos jogos, até que um dia, quando eu tinha 13 anos eu pedi os garotos para deixar eu jogar bola, e então um deles me deu um chute e falou que eu não iria jogar, porque eu era uma mulher. Eu sai dali chorando, e me perguntando o porquê de eu ser uma mulher, e desejando ser um garoto só para poder fazer aquilo que eu gostava e depois de horas chorando, finalmente percebi que tinha alguma coisa errada, e comecei a questionar o porquê de não poder jogar com os outros caras, e foi exatamente ali, que eu conheci o feminismo mesmo sem saber.

Quando as pessoas me perguntam se sou feminista, digo que não gosto de me rotular como feminista, porque acho que ninguém precisa de um rótulo para ser o que quer ser ou lutar por algo pelos seus direitos, mas eu sei o quanto esse movimento é importante hoje, e foi ele que me ajudou a olhar as coisas com uma outra perspectiva e perceber que eu não precisava ser homem, para fazer aquilo que eu gosto.

Depois disso me tornei uma pessoa cada vez mais forte, e passei a não aceitar mais quando um cara falava que eu não poderia jogar bola ou fazer qualquer coisa que fosse. Algumas pessoas acham que hoje, é tudo mais simples para mulheres se formos parar para olhar há alguns anos, mesmo que tenhamos conquistados alguns direitos depois de muita luta e voz feminina questionando as coisas, ainda sofremos machismo, e só quem é mulher pra saber isso, porque ninguém sabe o que uma mulher passa a não ser ela mesma.

Hoje, eu consigo entrar em um time de futsal feminino, consigo andar na rua sem usar sutiã, estudar aquilo que eu quero, postar foto nua na minha rede social, e me sentir cada vez mais livre para fazer o que eu bem entender. Eu faço tudo isso porque eu tomei coragem de enfrentar um a barra todos os dias por fazer coisas que deveriam ser simples de fazer, mas não é fácil. Nunca foi.

Nós mulheres temos que lutar 10 vezes mais que homens para conseguir fazer aquilo que gostamos e ter reconhecimento.



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